Maputo (O Destaque) – A renúncia de Margarida Mapandzene Chongo ao cargo de governadora da província de Gaza continua a suscitar diferentes leituras no espaço político. Para o analista Albino Mangunene, a decisão está mais ligada a disputas internas na Frelimo do que a um efectivo combate à corrupção e à má governação.
Em declarações sobre o caso, Mangunene considera que os argumentos de corrupção e de alegada má gestão estão a ser utilizados para justificar uma decisão que, na sua perspectiva, tem motivações essencialmente políticas.
Segundo o analista, a Frelimo procura transmitir uma imagem de unidade interna, quando, na realidade, existem divergências e disputas de interesses entre diferentes grupos dentro do partido, sobretudo na província de Gaza.
“O argumento da corrupção e da má governação está a ser usado para legitimar a renúncia e esconder que há clivagens internas”, defendeu.
Mangunene recordou que a saída de Mapandzene acontece pouco tempo depois do afastamento de Daniel Matavele do cargo de primeiro-secretário provincial da Frelimo em Gaza, entendendo que ambos os acontecimentos poderão estar relacionados com uma reconfiguração dos centros de decisão política na província.
Apesar da sua leitura política, o analista frisou que isso não significa que eventuais suspeitas de irregularidades devam ser ignoradas. Na sua óptica, caso existam indícios de corrupção relacionados com a gestão dos donativos destinados às vítimas das cheias, compete às instituições de justiça investigar os factos e apurar responsabilidades.
“O Ministério Público deve abrir um processo, investigar e esclarecer o país. Não basta apenas a saída da governadora; é necessário que haja responsabilização, caso existam fundamentos legais”, afirmou.
Mangunene sublinhou ainda que, até ao momento, não é do conhecimento público a existência de um processo-crime instaurado contra a antiga governadora, defendendo que deve prevalecer o princípio da presunção de inocência enquanto não houver um pronunciamento formal da justiça.
A renúncia de Margarida Mapandzene ocorre num contexto marcado por polémicas em torno do alegado desvio de donativos destinados às vítimas das cheias em Gaza, caso que levou à detenção de vários funcionários públicos e reacendeu o debate sobre a gestão dos recursos públicos e a responsabilização dos titulares de cargos governativos.
