Maputo (O Destaque) – A revogação da nomeação de Waldemar Fernando de Sousa para Governador do Banco de Moçambique continua a provocar reacções políticas. O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) considera que a nomeação, seguida de uma revogação em menos de 48 horas, expõe fragilidades no processo de tomada de decisões.
Em reacção ao Destaque, o porta-voz do MDM, Ismael Nhacucue, questionou directamente o papel da equipa de assessoria presidencial: “o Presidente não tem assessores”, ironizou.
Na avaliação do MDM, os assessores presidenciais têm grande responsabilidade pelo episódio. Nhacucue entende que caberia à equipa de assessoria alertar sobre eventuais riscos associados à nomeação, caso não houvesse conhecimento suficiente sobre o percurso do candidato.
O dirigente considera particularmente desnecessário que o país tenha passado por um processo de nomeação, seguida de revogação, envolvendo uma instituição central como o Banco de Moçambique. “Saem mal na fotografia os assessores do Presidente”, afirmou.
Mais do que um episódio isolado, Nhacucue entende que a situação levanta dúvidas sobre a forma como têm sido conduzidas algumas nomeações no Governo e sobre o funcionamento das estruturas de apoio à Presidência. Para o porta-voz do MDM, o episódio demonstra a necessidade de um trabalho mais rigoroso por parte dos assessores na avaliação prévia dos nomes propostos.
Contudo, apesar das críticas, o porta-voz do MDM reconhece como positiva a decisão de recuar na nomeação de Waldemar Sousa, considerando que a reversão evitou o aprofundamento de uma decisão que classificou como “grave”. Na sua leitura, Sousa não reuniria credibilidade suficiente para assumir a liderança do Banco Central devido às referências ao seu nome no processo das chamadas “dívidas ocultas”.
Num segundo momento da conversa com o Jonal O Destaque, o porta-voz reforçou que havia tempo suficiente para preparar a sucessão no Banco de Moçambique. Segundo explicou, o mandato do anterior Governador, Rogério Zandamela, estava a chegar ao fim e semanas antes já se discutia publicamente a possibilidade de não renovação. Por isso, entende que o processo deveria ter passado por uma avaliação rigorosa dos assessores e das estruturas competentes antes de se avançar com uma nomeação. Na sua avaliação, a rapidez com que a decisão foi tomada e posteriormente revertida constitui um “erro grave” que podia ter sido evitado com melhor assessoria.
O MDM diz esperar que a nova escolha, Felisberto Dinis Navalha, não venha a sofrer o mesmo destino. “Esperamos que amanhã não nos venha dizer que o Navalha já não vai tomar posse, vai tomar posse outra pessoa”, afirmou Nhacucue.
