Maputo (O Destaque) – O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu que a independência política conquistada por Moçambique deve dar lugar a uma nova etapa de luta nacional: a conquista da independência económica. Falando nas celebrações do 7 de Setembro, na Praça dos Heróis, em Maputo, Chapo apelou aos moçambicanos para transformarem o legado da geração da luta de libertação em trabalho, conhecimento, produção e empreendedorismo.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado destacou o sacrifício dos combatentes da luta de libertação nacional e considerou que a assinatura dos Acordos de Lusaka, há 52 anos, representa uma das páginas mais importantes da história do país.
Chapo afirmou que recordar os heróis nacionais não deve limitar-se a um acto protocolar, mas deve servir para transmitir às novas gerações o significado dos sacrifícios feitos pela liberdade e independência de Moçambique.
Segundo o Presidente, a actual geração tem uma missão diferente da geração que pegou em armas para libertar o país. Para os jovens de hoje, a “luta” deve ser travada através do conhecimento, ciência, tecnologia, produção e empreendedorismo.
“A luta de hoje, jovens, deve ser de conhecimento, luta de ciência, de tecnologia, de produção e de empreendedorismo para transformação económica deste nosso Moçambique”, afirmou.
Da independência política à independência económica
Chapo defendeu que os primeiros 50 anos da independência foram marcados pela consolidação do Estado, defesa da soberania e afirmação de Moçambique no concerto das nações. Para os próximos anos, apontou a independência económica como uma prioridade nacional.
O Presidente disse pretender uma economia mais competitiva, capaz de criar melhores condições de vida e permitir que empresas moçambicanas possam competir em pé de igualdade com empresas estrangeiras.
A aposta, acrescentou, passa também por uma maior participação dos jovens nas cadeias de valor, colocando-os no centro das políticas de desenvolvimento económico.
“Queremos, enfim, construir uma economia que seja cada vez mais moçambicana, tendo os jovens como os principais protagonistas, mais produtiva, mais competitiva e mais capaz de responder às necessidades do nosso povo”, afirmou.
Paz e segurança como condição para o desenvolvimento
Na mesma intervenção, Chapo associou a independência económica à necessidade de garantir paz, estabilidade e segurança no território nacional.
“Não podemos construir fábricas onde existe insegurança. Não podemos aumentar a produção onde existe medo. Não podemos atrair investimento onde não existe estabilidade”, declarou.
Sobre a situação de segurança em Cabo Delgado, afirmou que nenhuma vila se encontra actualmente sob ocupação de grupos terroristas, apesar da persistência de movimentos para outras zonas.
O Presidente reconheceu o trabalho das Forças de Defesa e Segurança, da força local e das forças de países amigos no combate ao terrorismo.
Chapo apela aos jovens para rejeitarem a violência
Dirigindo-se particularmente à juventude, Chapo lembrou que muitos dos combatentes da luta de libertação eram jovens quando decidiram participar na construção do futuro do país.
No entanto, defendeu que a juventude actual deve rejeitar a violência, a manipulação e os discursos de ódio, escolhendo o conhecimento e o empreendedorismo como instrumentos para transformar Moçambique.
O Presidente recordou ainda os avanços registados no país desde a independência, destacando a expansão do ensino, das universidades e da formação de médicos, numa comparação com as condições existentes no período colonial.
“A luta continua” dá lugar ao “vamos trabalhar”
No final da sua intervenção, Chapo resumiu a mensagem das celebrações numa mudança de palavra de ordem.
Segundo o Presidente, se no período da luta de libertação nacional era necessário dizer que “a luta continua”, actualmente o desafio é trabalhar para transformar a independência política em prosperidade económica.
“Lutar foi necessário para conquistar a liberdade do povo moçambicano, libertar a terra e o povo. Trabalhar é necessário para conquistar a prosperidade partilhada entre os moçambicanos.”
Chapo apelou, por fim, à unidade dos moçambicanos, independentemente da filiação política, origem étnica ou religião, defendendo um desenvolvimento económico e social que beneficie todos os cidadãos.
“Viva os Acordos de Lusaka, viva a independência nacional, a luta continua, a luta continua, a luta continua. […] E vamos trabalhar”, concluiu.
