Maputo (O Destaque) – Em entrevista ao Jornal O Destaque, o pesquisador Pedro Arlete Manjate considera que o possível retorno do antigo Presidente deve ser analisado para além da sua dimensão pessoal, tendo em conta as implicações que poderá ter na reorganização das forças políticas e no processo de transição em curso.
Segundo o pesquisador, o afastamento de Sissoco Embaló do poder, na sequência da intervenção militar de Novembro de 2025, deixou a Guiné-Bissau perante desafios relacionados com a legitimidade das instituições, a participação dos partidos políticos e a realização de eleições credíveis.
Manjate explica que o regresso de Sissoco Embaló ao território guineense não deve ser automaticamente interpretado como uma tentativa de recuperar o poder político. Na sua análise, na ausência de impedimentos legais, o retorno poderá enquadrar-se no exercício dos seus direitos enquanto cidadão.
Entretanto, o pesquisador distingue o direito de regressar ao país da possibilidade de participar livremente na actividade política, disputar eleições ou assumir funções públicas, uma vez que essas possibilidades dependem do quadro jurídico e institucional vigente.
O eventual retorno poderá também mobilizar os seus apoiantes e influenciar a reorganização das forças políticas, sobretudo num período em que o país enfrenta mudanças institucionais e prepara novas eleições.
Pedro Arlete Manjate alerta, contudo, que o regresso de Sissoco Embaló não significa necessariamente uma alteração imediata do controlo do Estado. O impacto político dependerá da posição das autoridades militares, da reacção dos partidos e das garantias existentes para a participação política.
Para o pesquisador, o principal desafio da Guiné-Bissau é evitar que o regresso de qualquer dirigente político se transforme num novo factor de confrontação. Defende que a estabilidade deverá estar assente no diálogo, no respeito pela Constituição, na liberdade de participação política e na realização de eleições transparentes.
Manjate conclui que o eventual regresso de Sissoco Embaló poderá ter repercussões na dinâmica política guineense, mas o futuro do país dependerá sobretudo da capacidade das instituições e dos diferentes actores políticos de superar a crise e restabelecer uma ordem política legitimada pelos cidadãos.
