Comunidades do Norte da Nigéria fazem acordos com bandidos para sobreviver

People from the Nigerian town of Malam Fatori an its area, close to the borders with Niger and Chad, pass by a car with Chadian Gendarmes (in uniform) as they flee Islamist Boko Haram attacks to take shelter in the Niger's town of Bosso secure by Niger and Chad armies, on May 25, 2015. Boko Haram, which wants to create a hardline Islamic state in northeast Nigeria, has been pushed out of captured towns and territory since February by Nigerian troops with assistance from Niger, Chad and Cameroon. AFP PHOTO / ISSOUF SANOGO / AFP PHOTO / ISSOUF SANOGO

Norte da Nigéria O (Destaque)-Em busca de segurança, algumas comunidades rurais do norte da Nigéria estão a recorrer a acordos informais com grupos armados, numa tentativa de garantir um quotidiano livre de violência. O gesto, embora compreensível diante do abandono estatal, levanta preocupações sobre a soberania e a fragilidade das instituições nigerianas.

As aldeias de Sabon Birni e Isa, situadas entre os estados de Sokoto e Zamfara, tornaram-se exemplos visíveis da crise. Muitas famílias foram forçadas a abandonar as suas casas, enquanto outras tentam negociar tréguas com grupos de bandidos que dominam vastas áreas, onde o Estado não se faz sentir.

Este fenómeno caracterizado por analistas como “o colapso do contrato social” revela como, em alguns territórios, a sobrevivência depende da capacidade dos cidadãos em mediar a sua própria paz. “É um cálculo de sobrevivência. Quando o Estado falha, as populações adaptam-se”, explica Dengiyefa Angalapu, especialista em resolução de conflitos.

No entanto, a fragilidade desses pactos é evidente. Mesmo com um grupo, a segurança nunca é garantida, outros podem não reconhecer o acordo, exigindo tributos adicionais ou retomando os ataques. Agricultores que tentam retomar a produção são frequentemente alvo de extorsão ou rapto.

Observadores internacionais alertam que esta realidade compromete não só o desenvolvimento local, como também a segurança nacional. Defendem um reforço urgente da presença do Estado, com soluções que passem pela protecção das comunidades, combate ao recrutamento de bandidos e reconstrução da confiança nas instituições públicas.

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