Maputo (O Destaque) – A RENAMO considera que António Muchanga continua ligado ao partido, mas entende que a sua situação deve ser analisada à luz das decisões judiciais e do princípio da separação de poderes. A posição foi manifestada ao Jornal O Destaque pelo porta-voz da formação política, Marcial Macome, numa altura em que Muchanga, depois de ter sido afastado das actividades políticas, recorreu ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e obteve uma decisão favorável.
Muchanga tem vindo igualmente a reivindicar a liderança da RENAMO, numa disputa interna que envolve a actual direcção do partido, liderada por Ossufo Momade.
Falando sobre a situação de Muchanga, Marcial Macome afirmou que, tendo o político recorrido aos tribunais e obtido uma decisão sobre a sua permanência nas actividades políticas, a questão deve ser enquadrada no respeito pelas instituições e pela separação de poderes.
O porta-voz da RENAMO sublinha que as decisões judiciais devem ser respeitadas, considerando que a separação de poderes é essencial para o funcionamento das instituições.
“Eu falei de uma questão de separação de poderes e, se perceber, a representação dos poderes passa necessariamente por respeitar aquilo que são as decisões.”
Para Macome, a questão de Muchanga não deve ser vista apenas pelo prisma da disputa política interna, sendo necessário compreender também os efeitos que as decisões das instituições produzem na vida política nacional.
“O nosso procedimento, particularmente, é esse: o nosso é o resultado de uma questão. O resultado de uma questão, o que é que está por detrás disso, por exemplo, pode solucionar isso, mas a lógica, os resultados dessa expressão, a situação, a sua função, tem um impacto grande na vida e isso nos interessa discutir.”
A posição da RENAMO surge num momento de tensão interna no partido, com António Muchanga a reivindicar espaço político e a contestar a liderança de Ossufo Momade.
Para Marcial Macome, o essencial é que as instituições exerçam as suas competências e que as decisões tomadas no âmbito judicial sejam respeitadas, independentemente das implicações políticas.
A RENAMO deixa, assim, a questão de Muchanga no terreno das instituições e da Justiça, enquanto a disputa pela liderança do partido continua a marcar o debate interno na principal força da oposição.
