Presidente da associação dos profissionais da saúde diz que hospitais não têm medicamentos

Maputo (O Destaque) – Enquanto o Governo garante a existência de reservas de medicamentos suficientes para abastecer o país durante dois anos, o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, contesta essa informação e afirma que a realidade enfrentada pelos utentes nas unidades sanitárias é diferente do discurso oficial.

Falando ao Jornal O Destaque, Muchave questionou a existência de medicamentos em quantidades suficientes, apontando para as reclamações de pacientes que, segundo relatos recolhidos pela associação, continuam a enfrentar dificuldades para obter medicamentos nos hospitais.

“Ontem teve o Conselho de Ministros, o Governo a dizer que há estoque de medicamentos por pelo menos dois anos, mas a realidade é outra. Nós até já fomos ao campo para ver e ouvimos alguns utentes a reclamar de que nos hospitais dizem que não há medicamento”, afirmou.

Para o presidente da APSUSM, a divergência entre os pronunciamentos das autoridades, as informações dos profissionais de saúde e as reclamações dos utentes exige esclarecimentos, de modo a perceber se as reservas anunciadas estão efectivamente disponíveis nas unidades sanitárias.

“Então, temos que saber o que é verdade, porque nós podemos dizer que o Governo está a mentir”, declarou, defendendo a necessidade de se esclarecer a situação com seriedade e transparência.

Muchave considera que a existência de medicamentos em armazéns não significa, necessariamente, que estes estejam disponíveis para os pacientes no momento em que procuram assistência médica. Por isso, entende que é necessário aproximar a informação oficial da realidade vivida nas unidades sanitárias.

Na sua perspectiva, o debate não deve limitar-se aos anúncios sobre a quantidade de medicamentos existentes no país, mas também deve procurar perceber se os produtos chegam efectivamente aos hospitais e estão acessíveis aos cidadãos que deles necessitam.

O responsável da APSUSM defende, por isso, maior alinhamento entre o Governo, os profissionais de saúde e os utentes, para evitar informações contraditórias sobre uma questão que afecta directamente a prestação de cuidados de saúde.

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