Golpistas da Guiné-Bissau já insultaram governos de Angola, Cabo Verde, Portugal e Moçambique só por terem sido aconselhados

O Destaque (Cortesia/Bissau Online) – Os novos “donos” da Guiné-Bissau descobriram uma fórmula revolucionária para fazer diplomacia internacional: o insulto gratuito. Depois de anularem as eleições presidenciais de novembro de 2025 porque o resultado não agradou ao general Umaro Sissoco Embaló, a junta militar que assaltou o poder decidiu adoptar a estratégia da criança zangada que tapa os ouvidos e grita com quem tenta dar juízo.

Para os golpistas de Bissau, qualquer nota de condenação ou conselho amigável vindo do exterior é o suficiente para abrir a gaveta dos palavrões e disparar contra tudo e todos, numa total falta de pudor e resquícios de ética e estética de cooperação.

A lista de alvos da diplomacia de Bissau não para de crescer. Portugal sugeriu o retorno à normalidade constitucional e levou uma resposta torta. Cabo Verde e Angola falaram em respeito pela vontade do povo e foram despachados com a mesma delicadeza de quem corre com galinhas do quintal. Moçambique tentou apelar ao bom senso e acabou na lista negra dos “ofensores”.

Até a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que costuma ser o espaço ideal para conversas calmas e consensos entre irmãos, já levou o seu puxão de orelhas virtual por ousar lembrar que dar golpes de Estado já não está na moda neste século.

Enquanto os golpistas gastam o seu latim a insultar os parceiros históricos, a economia da Guiné-Bissau finge que não vê o abismo, mas caminha para lá a passos largos. O país está a ficar mais isolado do que uma ilha deserta, com os cofres vazios e os parceiros internacionais a fecharem as torneiras do apoio financeiro.

Mas isso parece não tirar o sono aos novos inquilinos do palácio presidencial. Para eles, o que realmente importa é manter o controlo do poder à força, mesmo que para isso tenham de governar um país isolado do mundo, sem dinheiro e sem amigos, mas com o orgulho intacto de quem sabe insultar em bom português.

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