PODEMOS questiona desempenho dos ministros e pede metas públicas

Maputo (O Destaque) – A avaliação dos ministros do Governo de Daniel Chapo deve ser acompanhada pela divulgação dos planos de trabalho e dos resultados concretos de cada sector, defende o partido PODEMOS. Em reacção à informação sobre a realização de uma “prova oral” aos membros do Executivo, o porta-voz da formação política, Duclésio Chico considera difícil fazer uma avaliação rigorosa quando os cidadãos não conhecem os planos específicos de cada ministério.

Segundo Duclésio Chico, embora exista um plano governamental e um manifesto eleitoral, cada ministério deve ter igualmente um plano de trabalho próprio, com metas e projectos que permitam à sociedade acompanhar e medir o desempenho dos respectivos titulares.

“Os moçambicanos não tiveram o plano de cada sector e de cada titular”, afirmou, acrescentando que os ministros, enquanto servidores públicos, deveriam apresentar relatórios sobre o trabalho realizado e os resultados alcançados.

Para o porta-voz do PODEMOS, a ausência de informação detalhada sobre os compromissos de cada ministério dificulta uma análise “milimétrica” do desempenho governativo.

É preciso que estes mesmos ministros possam divulgar o que é o seu projecto de trabalho, o contrato de trabalho que foi assinado entre os ministros e o Presidente da República. Aí poderemos trazer uma análise mais séria sobre o trabalho dos ministros”, defendeu.

Apesar das reservas, Duclésio Chico reconhece que há sinais de esforço em alguns sectores do Executivo.

Na área dos Transportes e Logística, aponta a tentativa de recuperar aeronaves que se encontravam fora do país e de resolver problemas internos relacionados com as linhas aéreas. Destaca ainda medidas ligadas à mobilidade e à actividade dos transportadores, particularmente na região metropolitana de Maputo.

Na Saúde, considera haver igualmente esforços, sobretudo nas áreas de cirurgia, controlo de algumas patologias e fiscalização dos hospitais gerais. O porta-voz menciona intervenções realizadas na cidade de Maputo e em províncias como Nampula e Quelimane.

Há um esforço de realização por parte deste Executivo, porém, é preciso trabalhar de forma eficiente para podermos compactar com aquilo que é a demanda das necessidades do povo moçambicano”, afirmou.

Problemas continuam apesar da mudança de ministros

Duclésio Chico considera, entretanto, que a avaliação do Executivo deve ter em conta um problema mais amplo: a permanência de dificuldades que atravessam diferentes mandatos governativos, apesar da sucessiva mudança de titulares.

Os problemas de desempenho são vários e já estamos com vários mandatos e os problemas mantêm-se os mesmos. É preciso mesmo que avaliemos estes problemas”, disse.

Na sua perspectiva, mesmo quando um ministro consegue resolver parte de determinado problema, a avaliação deve concentrar-se também no que permanece por resolver.

Vamos lá dizer que o ministro resolve uma parte do problema, mas o foco maior é aquele que resta a resolver”, explicou.

Questionado sobre quem deveria deixar as funções, o porta-voz do PODEMOS afirmou que essa decisão cabe ao Presidente da República, depois de avaliar o desempenho de cada titular.

Não cabe muito a nós, como oposição, porque nós estamos a fazer aqui uma avaliação, uma análise de trabalho. O Presidente da República deve muito bem analisar, avaliar e perceber quem está a fazer e quem não está a fazer”, declarou.

Para o PODEMOS, os ministros que não conseguirem responder às necessidades da população e aos compromissos assumidos devem ser avaliados em função dos resultados alcançados.

Duclésio Chico voltou a defender, por isso, maior transparência sobre os planos, metas e resultados dos ministérios, para que a sociedade possa acompanhar e avaliar o desempenho dos governantes.

É preciso que se divulguem os trabalhos dos ministros, dos seus planos, para que seja avaliado e analisado de forma milimétrica”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *