Maputo (O Destaque) — A culpa é da água do céu. É assim mesmo, com uma facilidade quase poética, que as Alfândegas da Província do Niassa explicam a falta em 38,1 milhões de meticais nas suas contas do primeiro semestre deste ano.
Tal como avança Viriato Ronda — Director das Alfândegas no Niassa — citado pelo Jornal Rigor, o plano visava arrecadar 143,5 milhões de meticais, mas as nuvens resolveram conspirar contra os cofres do Estado e a colheita ficou-se nuns tímidos 105,3 milhões.
A grande vilã desta trágica comédia tributária dá pelo nome de Estrada Regional 733, a via que liga Lichinga a Matchedje. Segundo o director provincial, a água da chuva transformou a estrada num autêntico lamaçal, dificultando a importação.
E em vez de impostos a entrar, o que se viu foram tractores a rebocar viaturas presas na lama e importadores a chorar os custos extra. Para dar um toque ainda mais dramático nesta história toda, a culpa também foi empurrada para os conflitos no Médio Oriente e o preço dos combustíveis. Afinal de contas, nada como uma crise internacional para justificar porque é que os carros não conseguem passar por Unango.
Contudo, a fé no futuro continua firme. Apesar do fiasco dos primeiros seis meses, as Alfândegas no Niassa prometem ir atrás do prejuízo no segundo semestre, confiando no sol de verão, na campanha de comercialização agrícola e no reforço das brigadas de fiscalização para travar o contrabando.
Resta agora saber se a meta anual de 362,8 milhões de meticais será alcançada ou se, na primeira nuvem cinzenta que surgir no horizonte, os cofres públicos voltarão a ficar a ver navios, ou melhor, a ver carros travados no meio da estrada.
