Uso de auxiliares para potência sexual mata três pessoas em Angola

Maputo (O Destaque/ Cortesia) – O Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) lançou um alerta sobre o aumento de casos associados ao consumo do chamado “Leitinho”, um estimulante sexual líquido, e da bebida alcoólica SCAP, produtos que, segundo a instituição, já provocaram várias hospitalizações e mortes na província de Benguela.

De acordo com o responsável do INEMA, só este ano 18 pessoas foram assistidas devido ao consumo do denominado “Leitinho”, tendo três delas perdido a vida. O produto é descrito como uma versão líquida do conhecido “Que Faru”, cuja apresentação em cartucho faz com que produza efeitos mais rápidos no organismo.

O responsável explicou que, em alguns casos, o estimulante é consumido voluntariamente, mas revelou também uma prática considerada preocupante, segundo a qual algumas mulheres colocam clandestinamente o produto na comida ou na bebida dos parceiros, sem que estes tenham conhecimento, expondo-os a graves riscos de saúde.

Segundo o INEMA, um dos casos mais recentes envolveu um homem de cerca de 42 anos que ingeriu o produto e acabou por morrer. Além do “Leitinho”, a instituição refere que outros estimulantes sexuais comercializados de forma informal, como o denominado “Riffador”, também têm estado associados a casos fatais.

Outra preocupação das autoridades de saúde prende-se com a crescente popularidade da bebida alcoólica SCAP, que possui cerca de 18 graus de teor alcoólico e é comercializada a baixo custo. Dados do INEMA indicam que, desde o início do ano, 20 pessoas deram entrada em unidades sanitárias em estado de coma alcoólico após consumirem a bebida, das quais duas acabaram por morrer.

Os bairros do Casseque e Campeão são apontados como os locais onde se regista maior consumo destes produtos.

Especialistas ouvidos pela imprensa defendem que o uso indiscriminado de estimulantes sexuais resulta, muitas vezes, da pressão social e da tentativa de corresponder a expectativas sobre o desempenho sexual. O psicólogo Alberto Stéval considera que muitos jovens encaram o sexo como uma competição, levando-os a recorrer a substâncias sem qualquer orientação médica, com consequências graves para a saúde física e mental.

Por sua vez, o médico Hernâni Francisco, responsável do INEMA em Benguela, alertou que muitos consumidores ignoram problemas de saúde pré-existentes, como hipertensão ou doenças cardíacas, aumentando significativamente o risco de complicações fatais.

O especialista recomenda que qualquer dificuldade relacionada com a saúde sexual seja acompanhada por um médico urologista e defende a adopção de hábitos de vida saudáveis, incluindo prática regular de exercício físico e alimentação equilibrada, como alternativas seguras ao consumo de estimulantes vendidos de forma ilegal.

Face ao aumento de ocorrências, as autoridades sanitárias reforçam o apelo para que a população evite a automedicação e rejeite produtos de origem duvidosa, lembrando que o consumo irresponsável de estimulantes sexuais e bebidas alcoólicas de elevada graduação pode colocar vidas em risco.

TV: Zimbo

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