PR desafia investidores: “Moçambique quer deixar de exportar recursos e tornar-se o hub energético de África”

Maputo (O Destaque) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou esta quarta-feira que Moçambique pretende afirmar-se como o principal hub energético regional, transformando a riqueza dos seus recursos naturais em industrialização, emprego, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável. A mensagem foi deixada na abertura do Mozambique CEO Summit, onde o Chefe do Estado lançou um apelo ao investimento nacional e estrangeiro, garantindo que o país está determinado a criar um ambiente de negócios mais competitivo, seguro e previsível.

Perante empresários, investidores, representantes do Governo e parceiros internacionais, Daniel Chapo sublinhou que Moçambique vive um momento decisivo, em que deve converter o seu enorme potencial económico em benefícios concretos para a população.

Segundo o Presidente, o lema desta edição do encontro, “Moçambique como Hub Energético Regional: Liderando a Próxima Fronteira de Crescimento em África”, traduz a ambição do país de se tornar uma plataforma regional de produção, transporte, transformação e comercialização de energia, impulsionando a industrialização e a integração económica da África Austral.

Chapo destacou que Moçambique dispõe de vantagens competitivas únicas, entre as quais a localização estratégica no Oceano Índico, corredores de desenvolvimento, portos, terras aráveis, abundantes recursos hídricos, minerais e energéticos, além de uma população maioritariamente jovem.

O Chefe de Estado frisou que o Governo pretende utilizar essas vantagens para gerar valor dentro do país, fortalecer empresas nacionais, criar emprego digno, ampliar a base fiscal e melhorar as condições de vida das famílias moçambicanas.

No domínio energético, destacou que o Executivo está a desenvolver uma estratégia integrada para aproveitar o potencial hidroeléctrico do Vale do Zambeze, consolidando a Hidroeléctrica de Cahora Bassa e promovendo projectos estruturantes como Mphanda Nkuwa, Lupata e Boroma.

O Presidente reafirmou igualmente o compromisso de expandir o acesso à electricidade através do programa Energia para Todos, com a meta de garantir que, até 2030, todos os moçambicanos tenham acesso a este serviço essencial.

Relactivamente ao gás natural, Daniel Chapo destacou os investimentos em curso na Bacia do Rovuma, apontando os projectos Coral Sul, Coral Norte, Mozambique LNG e Rovuma LNG, cuja carteira global ronda os 50 biliões de dólares norte-americanos, considerando que estes investimentos deverão impulsionar a industrialização, a formação de quadros nacionais e a criação de emprego.

O Chefe do Estado revelou ainda que a abundância de energia permitirá posicionar Moçambique também como um hub digital regional, através da instalação de centros de dados (data centers) e infra-estruturas de inteligência artificial capazes de atrair investimento tecnológico para toda a África Austral.

Na área das infra-estruturas, Chapo anunciou o reforço dos investimentos nos corredores de Nacala, Beira e Maputo, incluindo a modernização dos portos, novas plataformas logísticas, melhoria das ligações rodoviárias e implementação de postos fronteiriços de paragem única para facilitar o comércio regional.

O Presidente defendeu que os grandes projectos de investimento devem beneficiar directamente os moçambicanos, criando ligações efectivas com as micro, pequenas e médias empresas, promovendo a transferência de conhecimento, o respeito pelas comunidades e a protecção do ambiente.

Nesse contexto, considerou a recém-aprovada Lei do Conteúdo Local um instrumento estratégico para assegurar que a riqueza gerada pelos grandes investimentos contribua para o fortalecimento da economia nacional.

Daniel Chapo garantiu ainda que o Governo continuará a simplificar procedimentos administrativos, reduzir a burocracia, reforçar a segurança jurídica e combater a corrupção, os raptos e outras práticas criminosas que prejudicam o ambiente de negócios.

“O sector privado é o motor da economia”, afirmou o Presidente, apelando aos empresários nacionais e estrangeiros para investirem num país que, segundo disse, está de portas abertas à inovação, ao empreendedorismo e às parcerias estratégicas.

Na sua intervenção, o Chefe do Estado defendeu igualmente uma transição energética justa, afirmando que África não pode ser obrigada a escolher entre proteger o ambiente e retirar milhões de pessoas da pobreza, sustentando que ambas as metas devem caminhar lado a lado.

Ao encerrar o discurso, Daniel Chapo apelou à construção de uma aliança nacional em torno do investimento produtivo, da industrialização, da criação de emprego, da valorização do capital humano e da integridade na gestão dos recursos públicos e privados, manifestando confiança de que o Mozambique CEO Summit dará origem a novas parcerias, investimentos e soluções capazes de acelerar a transformação económica de Moçambique.

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