Por: Lencastre Pacua
Sociólogo, comunicador e Mestrando em Gestão dos Media Digitais
As redes de relações sociais sempre fizeram parte da evolução da sociedade. Hoje, vivemos numa era de portas e janelas abertas, em que as plataformas digitais influenciam comportamentos, moldam percepções e marcam o quotidiano da convivência social.
Há quem utilize estas plataformas de forma ética e responsável, encontrando nelas oportunidades para empreender, partilhar conhecimentos, divulgar marcas e promover serviços.
Outros fazem delas uma montra de ostentação, exibindo, muitas vezes, uma vida que não corresponde à sua realidade, na tentativa de impressionar os outros.
Há também quem utilize os mesmos espaços para descarregar o seu ódio, as suas frustrações e a sua indignação.
Por detrás de cada publicação pode existir uma realidade que desconhecemos: uma conquista, uma dor silenciosa, uma intenção comercial ou uma aparência cuidadosamente construída. Por isso, aquilo que vemos nas redes sociais exige prudência, discernimento e capacidade de análise.
Viver para sustentar uma imagem que não corresponde ao que somos pode ser emocionalmente devastador. Da mesma forma, comparar a nossa vida com aquilo que os outros escolhem mostrar pode levar-nos a desvalorizar o nosso próprio percurso. Como ensina a sabedoria popular, as aparências iludem.
A literacia digital exige mais do que saber utilizar as plataformas. Implica analisar criticamente os conteúdos, questionar as suas intenções, verificar informações e compreender que uma publicação é apenas um recorte da vida de alguém.
Antes de julgar, comparar ou acreditar, procuremos compreender. Nem tudo o que se publica revela o que se vive, e nenhuma vida cabe inteiramente numa postagem.
